Neuras da Mamãe - Blog

Divertidamente: o que está por trás do filme, que teve a ajuda de neurocientistas para ser desenvolvido?

A ciência e a animação juntas! Para nós neuropsicólogas é um prato cheio de assunto.

Começamos então do início de tudo, onde a torre de comando tem apenas 1 botão e um sentimento, indicando que no início da vida há poucos circuitos neurais, com uma gama menor de funções cognitivas e a personagem dona das emoções é apenas um bebê. Mas com o passar do tempo as conexões aumentam entre as diferentes estruturas cerebrais. A sala de comando fica mais cheia, e o painel de controle maior e cheio de botões, afinal Raley já tem 11 anos.

Além da Alegria e da Tristeza, na torre de comando estão o Medo (que manda bem no quesito segurança),a  Raiva (que odeia injustiças) e Nojinho (que impede que Raley se intoxique socialmente e fisicamente)

Formação da Personalidade

A personagem Alegria descreve muito bem como nos tornamos quem somos. (leia nosso texto de personalidade)

As Ilhas da Personalidade, são formadas através das Memórias Base.

As “ilhas da Raley”, são 5:

Ilha da família: relação dela com os pais

Ilha da amizade: relacionamento de cumplicidade e afinidade da personagem com outras crianças

Ilha da Honestidade: o que a criança aprende mais as regras impostas em relação a comportamento

Ilha da Bobeira: parte fundamental para o desenvolvimento infantil, o brincar

Ilha do hóquei: faz parte das raízes culturais da personagem, do lugar de onde ela vem

Então Raley, até aquele momento é uma menina que tem uma boa base familiar, com pais que se relacionam de forma harmoniosa, com amigos e vínculos importantes, onde ela se diverte e tem companhia para fazer coisas de criança. Seus pais a ensinaram a sempre dizer a verdade, e não tentar passar a perna nos outros. Tem a parte da fantasia, da imaginação e da brincadeira e é uma legítima cidadã de Minesota, onde os esportes são adaptativos para o clima frio. Esses são os principais valores da Raley, e o que fazem dela quem ela é.

A questão importante é a idade da personagem, com 11 anos suas emoções são imaturas, despreparadas e acham que o principal de tudo é sempre sentir-se feliz (até os 11 anos até pode dar certo).

Passagem para a adolescência

Na neuropsicologia, estudamos que transtornos de personalidade são formados no início na idade adulta, sendo fundamental o curso e o desenvolvimento de comportamentos durante a infância, sejam estimulados ou corrigidos.

Na animação, acompanhamos que o pai da Raley é transferido de cidade por conta do trabalho. Quando chegam a casa nova, há muitas frustrações e já falamos aqui no blog que crianças não estão preparadas para frustrações e quando acontecem, elas tendem a agir de forma exagerada e impulsiva (predomina a Raiva, que no desenho tem a ideia de fugir de casa e voltar para Minesota). Cabe aos adultos que são responsáveis pela educação dessa criança fazerem ela entender o momento que está vivendo. (leia nosso texto sobre birra)

Se frustrar é importante e faz parte do desenvolvimento da vida. Sabemos que crianças que não se frustram, podem se tornar adolescentes com busca de fuga da realidade (vícios e adrenalina).

Aliás, um ponto bastante importante a se observar é que os roteiristas do texto fazem uma metáfora com a mudança de casa e de cidade, com o momento de transição da infância para adolescência, pois é como se essa mudança de fase fosse exatamente isso.

Nessa fase da vida geralmente a criança passa a lidar mais de perto com mudanças de comportamento, confusões de sentimentos e questionamento de valores. No filme, as ilhas da personalidade sofrem grandes desmoronamentos e algumas ficam por um fio.

A importância da memória

Há quem seja mais detalhista e já tenha percebido que as memórias são representadas por esferas coloridas com as cores correspondentes às emoções dominantes no momento, e por isso a Alegria fica tão preocupada em não deixar a Tristeza tocá-las. Ou seja, as emoções é que dão a importância das memórias, assim assimilando para o cérebro o que deve ser guardado, como e onde. Toda vez que acessamos uma memória, os estados emocionais do indivíduo podem alterar a memória reescrevendo o seu conteúdo, como por exemplo as lembranças da família em Minesota eram alegres (amarela), mas se tornaram tristes (azul), após a família ter se mudado (cena em que Raley está se apresentando na nova escola e começa a chorar), pois é basicamente dessa forma que assimilamos nossas memórias, há aquelas que são alegres, as que são tristes, as de um momento inesquecível de raiva e cada vez que acessamos esse memória acessamos também a emoção que está ligada a ela.

Já falamos sobre as memórias bases, que formam a personalidade e ainda observamos a memória de trabalho sendo colocada em prática quando Raley chega a seu novo quarto vazio e imagina como ele poderá ficar no futuro.

Quando a personagem adormece, as informações vividas no dia, ou seja, memória de curto prazo, são enviadas pelo hipocampo para se tornarem parte da memória de longo prazo. Mas que se não são acessadas ou exercitadas acabam sendo esquecidas (cena dos operários com tubos aspirantes), mas alguma coisa ainda pode restar, como por exemplo no momento em aspiram 4 anos de aulas de piano, mas deixam 1 música.

Crescemos nas dificuldades

Após passar por muitas coisas, Raley supera o momento difícil da mudança de cidade, contando com o apoio dos pais, a partir do momento em que ela assume o que sente chorando e abraçando os pais, após se arrepender de ter fugido de casa.

Percebemos o crescimento da personagem, pois a torre de comando recebe um novo painel, com novos botões. Suas ilhas da personalidade também crescem e temos temas compatíveis ao de uma adolescente, sem perder as antigas que foram recuperadas. As esferas das memórias agora têm mais de 1 cor, demonstrando crescimento e melhor regulação das emoções.

Raley também aprende que não é possível ser feliz o tempo todo e que todas as emoções tem sua importância, essa questão poder ser vista na cena em que a Alegria descobre que a memória que tinha armazenado de um momento feliz só aconteceu devido a uma situações que deixou a personagem triste antes.

A animação Divertidamente, não decepciona, pelo contrário nos encanta e surpreende e ainda passa mensagens de esperança e afeto de uma forma lúdica que faz tudo parecer mágico e divertido.

Já fez sua programação de férias com os pequenos? Inclua algumas horas de suas férias para assistir essa fantástica animação e entender como funcionam nossas emoções e como se forma nossa personalidade.

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