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Síndrome de Asperger é Autismo?

Você com certeza já ouviu falar em Asperger, não é mesmo? Acontece que hoje em dia muito se discute sobre essa Síndrome e muitos pais têm dúvidas se o uso desse nome ainda é correto ou se trata de outro transtorno.

Antes de iniciarmos, é importante dizer que os primeiros estudos sobre autismo foram publicados por 2 psiquiatras austríacos: Léo Kunner e Hans Asperger, ambos em meados dos anos 40.

A diferença é que Kunner relatou casos de crianças mais comprometidas, não-verbais e casos mais graves. Já Asperger descreveu crianças e adolescentes com falta de empatia, baixa capacidade de formar amizades, conversação unilateral, intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados. Asperger chamava as crianças que estudou de pequenos professores, devido a sua habilidade de discorrer sobre um tema detalhadamente.

Entretanto, este é o início dos casos estudados e dos anos 40, de lá para cá, muitas coisas aconteceram para a facilitação do diagnóstico, a ciência e medicina evoluíram e suas denominações também.

É importante sabermos que até certo momento, a Síndrome de Asperger era descrita como um tipo de autismo, porém os estudos mostravam que não existia diferença entre causas e funções biológicas entre os dois grupos.

O que diz o DSM V?

Em 2013 na publicação do novo (e atual) Manual Diagnóstico de Doenças Mentais (DSM-V), optou-se por colocar tudo pertencente ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) porque, apesar de apresentarem comportamentos em graus diferentes, foi a forma encontrada para que unificassem transtornos de mesmo tipo de comportamento, mas com intensidade e sintomas variados.

Isso simplifica os casos na questão de unificação de diagnóstico, pois tudo se encaixa dentro do TEA, mas diferencia o tipo de intervenção necessária a cada um e suas peculiaridades. Esse assunto ainda gera algumas dúvidas e polêmicas, pois alguns profissionais ainda usam (mesmo que de forma errada) o nome Asperger e Autismo, como se estivéssemos falando de coisas diferentes. O uso errado do termo Asperger ao fechar um diagnóstico muitas vezes confunde os pais que acabam acreditando se tratar de algo diferente do TEA e infelizmente acaba gerando até mesmo resistência quando se tenta fazer a psicoeducação dos mesmos explicando que se trata de um tipo de autismo leve.

O fato é que existem, como já citamos, intensidades e sintomas de certa forma diferenciados.

E há diferenças entre o Autismo e o Asperger?

O que faz a diferença entre Autismo (grave ou moderado) e o antigo Asperger (hoje classificado como Autismo Leve) são a intensidade, profundidade e a gravidade dos sintomas.

O Autismo clássico pode ser percebido de forma precoce, nos primeiros anos de vida, há um atraso de fala e no desenvolvimento infantil, de forma geral, essa criança não consegue avançar na aprendizagem, nas relações e na comunicação, se não houver intervenções. Os sintomas são muito mais acentuados e perceptíveis, com falta de adaptação em lugares de muito movimento de pessoas, ecolalia (repetições verbais), estereotipias motoras (movimentos repetitivos), crises de choro e de birra, muitas vezes sem explicação. Pode chegar a haver regressões no que já foi aprendido em relação a diversos fatores, como por exemplo, sendo mais desatenta, impulsiva, com memória de curto prazo e coordenação motora prejudicada, rigidez mental e com isso, tendo declínio maior na parte cognitiva em relação ao antigo Asperger.

O nível de inteligência desta população é variável: 40% têm suas habilidades intelectuais preservadas, 50% tem algum tipo de deficiência ou retardo mental associado, 5% possuem altas habilidades, além de poder vir associada a outras síndromes.

Em casos de “autismo clássico” não há reciprocidade nas emoções e nas relações interpessoais, podendo chegar a ignorar o outro por completo, sem nenhum sinal de interesse em se relacionar, apenas usando o outro de “ponte” para algo desejável.

No Autismo leve (Asperger), normalmente só é perceptível conforme a criança vai atingindo cerca dos 6 anos, isso se não for perceptível apenas na adolescência, por conta da intensidade dos sintomas, dificilmente há atrasos na fala, apesar de ter um discurso robótico, não há ecolalia, e a estereotipia vem mais em forma de assuntos repetitivos e de interesses restritos, e do seu desenvolvimento que pode ocorrer de forma mais letificada, mas a criança avança, sem necessitar de grandes intervenções. Nestes casos os sintomas são mais sutis, como já citamos, até mesmo quando falamos em questões cognitivas, pois suas dificuldades são mais leves em relação à organização, coordenação motora, e muitos podem até desenvolver de forma precoce habilidades de escrita, leitura (hiperlexia) ou numérica.

O nível de inteligência deste grupo é sempre a partir da média da população ou acima disso com altas habilidades, podendo vir também com comorbidades associadas.

Na forma de se relacionar, há certa problemática, como uma forma inadequada de aproximação ou com falta de empatia, mas o antigo Asperger tende a buscar algum tipo de relacionamento, mesmo que com poucas pessoas.

O importante é entender que, seja o Autismo de Leve (Asperger), Moderado ou Severo, qualquer tipo de Autismo atualmente, segundo o DSM-V se encaixa na classificação do TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Então quem tem autismo leve (Asperger) não precisa de intervenções?

Isso não é uma verdade, assim como os outros tipos de autismo, quem tem autismo leve necessita tanto de intervenções, como os demais, mesmo que com o tempo ele tenha conseguido se desenvolver, pois a ideia das intervenções no TEA é minimizar o máximo possível os sintomas apresentados pelo paciente.

É muito importante entendermos que qualquer sintoma apresentado no Transtorno do Espectro Autista traz impactos na vida da criança e que um dia ela também deixará de ser criança e necessitará fazer coisas sem assistência ou monitoramento constantes, por isso as intervenções são fundamentais e devem ser levadas a sério pela família.

Este post tem 2 comentários

  1. Sempre percebi q meu filho era um pouquinho diferente, mas quando procurava definições na internet sobre TEA ele não se encaixava em nada, quando li a primeira definição sobre Asperger (q eu não fazia idéia do que era) descobri na hora que ele era Asperger. São completamente diferentes, apesar de serem tea e infelizmente essa falta de separação faz com q nossos filhos tenham diagnósticos tardios.

    1. Andreia, na verdade essa “falta de separação” ajuda seu filho a ter seus direitos garantidos por estar dentro do TEA, como eles tem uma funcionabilidade melhor do que os autistas clássicos para muitas instituições e para pessoas que não conhecem bem o transtorno crianças com perfil Asperger acabariam não sendo contempladas em seus direitos, hoje estão dentro do mesmo espectro, pois cientificamente falando sabemos que a base do transtorno é a mesma. Os diagnósticos tardios acontecem exatamente por muitos profissionais desconhecerem o Asperger como autismo, ainda existem muitos pediatras que ficam dizendo para as mães que “cada criança tem seu tempo” quando na verdade já há sinais de atrasos no desenvolvimento que devem sim ser consideradas como algo importante.

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